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Minas Gerais,20/07/2026

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Importação estratégica se torna diferencial para varejistas que buscam preço, variedade e previsibilidade

Planejamento de compras internacionais, controle de custos e logística eficiente passam a pesar na capacidade de empresas manterem margens e atenderem consumidores

Notícias Brasil Agora
Importação estratégica se torna diferencial para varejistas que buscam preço, variedade e previsibilidade Reprodução

Em um cenário de consumo mais seletivo e margens pressionadas no varejo, a importação deixou de ser apenas uma alternativa para ampliar variedade e passou a ocupar um papel estratégico na competitividade das empresas. Para redes regionais que atuam com utilidades domésticas, itens de organização, cozinha, brinquedos, material escolar, presentes e produtos sazonais, comprar bem no exterior pode significar vender com mais previsibilidade no Brasil.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que o comércio exterior brasileiro manteve ritmo relevante em 2026. Em maio, as importações somaram US$ 24,1 bilhões, enquanto a corrente de comércio chegou a US$ 56 bilhões. Já no acumulado até a segunda semana de junho, as importações brasileiras totalizavam US$ 127,6 bilhões no ano.

A movimentação reforça a importância do planejamento em cadeias de abastecimento. Para o varejo, importar não envolve apenas escolher produtos com preço competitivo. O processo exige cálculo de custos, análise de câmbio, controle documental, previsão de demanda, logística internacional, armazenagem e estratégia de distribuição para lojas físicas e canais digitais.

Segundo Mellissa Pinto de Paula Kozlowski, empresária e executiva com atuação em varejo, distribuição, logística e importação internacional, a vantagem da importação aparece quando ela está conectada à realidade operacional da empresa.

“Importar sem planejamento pode gerar estoque parado, custo financeiro e perda de margem. A importação estratégica começa antes do embarque, quando a empresa define o mix, calcula o custo final do produto, avalia o giro esperado e entende em quais canais aquela mercadoria terá melhor desempenho”, afirma.

Mellissa atua na gestão operacional e de expansão da Distribuidora de Utilidades Cidade do Aço, operação multirregional presente nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. A estrutura reúne 16 unidades comerciais, centro de distribuição em Pinheiral, no Sul Fluminense, e atuação em e-commerce e marketplaces. Entre 2023 e 2025, a empresa coordenou aproximadamente 115 containers importados, principalmente de países como China, Índia e Egito.

No varejo de utilidades, a importação permite ampliar o mix e negociar melhor categorias com alta procura, especialmente em períodos de maior sazonalidade. Material escolar, itens de presente, produtos para casa e brinquedos exigem compra antecipada, leitura de calendário comercial e precisão no volume. Um erro no prazo ou na quantidade pode comprometer campanhas inteiras.

Mellissa explica que o centro de distribuição tem papel decisivo nesse processo. Quando a empresa recebe grandes volumes importados, precisa organizar conferência, separação, armazenagem e redistribuição para as unidades sem perder velocidade. A logística interna, portanto, passa a ser tão importante quanto a negociação com o fornecedor internacional.

“Não basta o produto chegar ao Brasil com bom preço. Ele precisa chegar no tempo certo, ser armazenado corretamente, abastecer as lojas com equilíbrio e entrar na estratégia comercial sem pressionar o caixa. A operação precisa conversar com o financeiro, com as compras, com o comercial e com os canais digitais”, destaca Mellissa.

A queda de 1,5% nas vendas do varejo em abril, apontada pelo IBGE, também trouxe um sinal de cautela para as empresas. Em períodos de oscilação, comprar de forma mais inteligente ajuda a preservar rentabilidade. A previsibilidade se torna ainda mais importante para negócios que competem com grandes redes, marketplaces e consumidores cada vez mais atentos a preço e variedade.

“Preço é importante, mas não é o único fator. A empresa precisa saber se aquele produto tem aderência ao público, se cabe no posicionamento da loja, se terá giro suficiente e se o custo final permite vender com margem saudável. É isso que diferencia uma importação planejada de uma compra por oportunidade”, completa.

Entrevista

Quais são os principais cuidados antes de iniciar uma importação para o varejo?

O primeiro cuidado é calcular o custo real do produto até a chegada ao estoque. Isso inclui fornecedor, frete, impostos, câmbio, documentação, armazenagem e distribuição. Depois, é preciso avaliar se o volume comprado faz sentido para a demanda da empresa.

Como a importação ajuda uma rede regional a competir melhor?

Ela amplia o poder de negociação, permite trabalhar com maior variedade e ajuda a criar diferenciais no mix de produtos. Para uma rede regional, isso é muito importante porque o cliente busca conveniência, preço acessível e novidade.

Qual erro mais compromete a margem de quem importa?

Comprar sem considerar o giro. Às vezes o produto parece barato, mas ocupa espaço, demora a vender e prende capital. A importação precisa estar ligada ao planejamento comercial e não apenas à negociação de preço.

A tendência é que varejistas com maior domínio sobre compras internacionais, logística e análise de custos tenham mais condições de atravessar períodos de instabilidade. Em um mercado competitivo, importar bem deixou de ser uma vantagem isolada e passou a fazer parte da estratégia de sobrevivência, expansão e rentabilidade das empresas.





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