Eficiência operacional ganha protagonismo em setores industriais de alta complexidade
Empresas que revisam processos, logística e gestão de fornecedores conseguem enfrentar melhor cenários econômicos voláteis
Reprodução Em um ambiente de maior pressão sobre custos, demanda mais seletiva e necessidade crescente de previsibilidade operacional, a eficiência voltou ao centro das decisões industriais no Brasil em 2025. Dados divulgados pelo IBGE mostram que, em novembro de 2025, a produção industrial nacional ficou estável na comparação com outubro, mas recuou 1,2% frente a novembro de 2024, com média móvel trimestral negativa de 0,1%, sinalizando perda de ritmo em parte relevante da atividade produtiva.
Esse cenário ajudou a consolidar uma percepção cada vez mais presente entre executivos e operadores do setor: em segmentos de maior complexidade, sobreviver bem a ciclos econômicos mais voláteis exige mais do que força comercial. Exige processos revisados, logística coordenada, relacionamento sólido com fornecedores e capacidade de resposta rápida diante de oscilações de mercado. A própria Confederação Nacional da Indústria apontou, na avaliação do desempenho de 2025, que juros elevados, demanda insuficiente e aumento das importações ajudaram a limitar o crescimento industrial no país.
Na prática, esse ambiente tornou ainda mais valiosa a atuação de profissionais capazes de transformar operação em vantagem competitiva. É nesse contexto que ganha relevância a experiência de Leonardo Hiroyuki Hamada Nery, empresário brasileiro com trajetória consolidada nos setores de distribuição automotiva, industrial e tecnológica. A experiência acumulada por Leonardo ao longo de quase duas décadas no mercado ajuda a explicar esse posicionamento.
Ao comentar o momento vivido pela indústria brasileira, Leonardo afirma que a volatilidade econômica expõe, com mais clareza, empresas que ainda operam com falhas de integração entre compras, estoque, distribuição e atendimento ao cliente. Segundo ele, quando essas áreas não funcionam em sincronia, a companhia perde margem, aumenta retrabalho e passa a reagir tardiamente aos problemas, especialmente em setores em que o abastecimento e o tempo de resposta são decisivos.
Essa leitura encontra respaldo no próprio debate industrial de 2025. A CNI vinha destacando, ao longo do período, que a desaceleração da atividade e o ambiente de custos mais sensível ampliavam a necessidade de gestão mais eficiente de recursos e processos. Em outras palavras, empresas com operação mais disciplinada tenderam a enfrentar melhor um ano em que o crescimento da indústria perdeu força na comparação com 2024.
Entrevista — Leonardo Hiroyuki Hamada Nery
Pergunta: Por que a eficiência operacional ganhou tanto peso em 2025?
Leonardo: Porque em um cenário mais volátil, qualquer falha pequena começa a custar caro. Quando a empresa perde tempo, compra mal, entrega fora do prazo ou não acompanha sua operação de perto, isso aparece rapidamente na margem, na confiança do cliente e na capacidade de competir.
Pergunta: Onde as empresas mais erram hoje?
Leonardo: Muitas ainda trabalham com setores desconectados. O comercial promete uma coisa, o estoque não acompanha, a compra reage tarde e o cliente sente o impacto. Em mercados mais complexos, isso não é detalhe, é perda real de competitividade.
Pergunta: O que diferencia uma operação madura de uma operação vulnerável?
Leonardo: Disciplina. Uma operação madura conhece seus processos, acompanha os fornecedores, sabe onde estão seus gargalos e não espera o problema explodir para agir. Ela constrói previsibilidade.
Pergunta: Qual é o papel do fornecedor dentro dessa lógica?
Leonardo: Fundamental. Fornecedor confiável não é só quem vende, é quem ajuda a sustentar a operação do cliente. Quando existe relacionamento sério, agilidade e entendimento da necessidade real, o nível de eficiência sobe para os dois lados.
Pergunta: Que conselho você daria para empresas industriais que querem melhorar em 2026?
Leonardo: Revisar processos com honestidade, aproximar liderança da operação e tratar logística e suprimentos como parte da estratégia, não como área de apoio. Quem fizer isso com consistência vai responder melhor ao mercado.
A conclusão que emerge desse cenário é objetiva: em setores industriais de alta complexidade, a eficiência operacional se consolidou como um dos principais diferenciais para preservar competitividade, sustentar margens e reduzir vulnerabilidades.



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