Governança digital ganha protagonismo na competitividade das pequenas e médias empresas
Estruturação de processos, métricas e segurança da informação passa a ser diferencial estratégico no mercado global
Reprodução A competitividade das pequenas e médias empresas passou a ser discutida sob uma nova lente: a da governança digital. Em vez de ser tratada apenas como tema de grandes corporações, a organização de processos, o uso de métricas, a proteção de dados e a estruturação tecnológica passaram a ser vistos como elementos decisivos para crescimento, continuidade operacional e capacidade de escala. Essa mudança foi impulsionada por um cenário internacional em que a digitalização avançou, mas a maturidade de gestão ainda permaneceu desigual entre empresas de menor porte. Dados da OECD mostram que, na pesquisa D4SME de 2025, apenas 27% das SMEs tinham estrutura de segurança digital classificada como robusta ou avançada, enquanto dois terços ainda não contavam com práticas suficientemente maduras nessa área.
O problema deixou de ser apenas adotar tecnologia. A questão passou a ser como organizar a empresa para que a tecnologia gere previsibilidade, segurança e ganho competitivo real. O mesmo levantamento da OECD mostrou que 39% das SMEs já usavam aplicações de IA em 2025, acima dos 26% registrados em 2024, o que indica avanço importante na digitalização, mas também maior exposição a riscos ligados a dados, integração de sistemas e segurança da informação. Além disso, 45% das empresas de médio porte apontaram segurança digital como prioridade de capacitação, sinalizando que a preocupação com governança já havia entrado de forma concreta na agenda empresarial.
Esse contexto se conecta diretamente à avaliação de Dener Lameiras Vieira, especialista em infraestrutura tecnológica crítica, governança digital e arquitetura organizacional. Com uma trajetória consolidada em tecnologia da informação, telecomunicações, cibersegurança e gestão de projetos complexos, Dener sustenta que pequenas e médias empresas estão começando a perceber que governança digital não é burocracia, mas estrutura de sobrevivência e crescimento. Sua narrativa profissional o apresenta como um estrategista que integra tecnologia, governança e arquitetura organizacional em modelos escaláveis de eficiência sistêmica.
“Não basta contratar sistemas, assinar plataformas ou usar automação de forma isolada. A competitividade nasce quando a empresa consegue estruturar processos, medir desempenho, proteger informação e transformar tecnologia em previsibilidade operacional”, afirma Dener.
Entrevista com Dener Lameiras Vieira
Pergunta: Por que governança digital deixou de ser um tema restrito às grandes empresas?
Dener: Porque hoje qualquer empresa depende de dados, sistemas, comunicação digital e processos conectados. Uma PME pode não ter a mesma estrutura de uma grande corporação, mas sofre impactos muito semelhantes quando há falha de operação, perda de informação ou desorganização de processos.
Pergunta: Onde pequenas e médias empresas mais erram nesse processo?
Dener: No entendimento de que tecnologia, sozinha, resolve. Muitas vezes a empresa compra ferramenta antes de organizar fluxo, responsabilidade, métrica e rotina. Sem isso, ela digitaliza o caos.
Pergunta: O que mais pesa na competitividade de uma PME em 2025?
Dener: Consistência operacional. Quem consegue entregar com padrão, controlar informação, medir desempenho e proteger seus ativos digitais passa mais confiança, reduz risco e escala melhor.
Pergunta: Segurança da informação já virou tema estratégico para esse segmento?
Dener: Sem dúvida. Antes era vista como custo técnico. Agora está ligada à continuidade do negócio, à reputação e até à capacidade de fechar contratos. Segurança e governança se tornaram partes da credibilidade empresarial.
Pergunta: Qual é o primeiro passo para uma PME evoluir nessa direção?
Dener: Mapear seus processos críticos. Depois disso, definir indicadores, responsabilidades, controles mínimos de segurança e critérios claros de acompanhamento. A maturidade começa quando a empresa deixa de operar só na reação.
O avanço da governança digital entre pequenas e médias empresas não é uma tendência abstrata. Ele responde a uma realidade concreta: em um mercado mais integrado, automatizado e exposto a riscos, competir bem depende cada vez mais de estrutura. Empresas que organizam processos, trabalham com métricas, protegem seus dados e pensam tecnologia de forma sistêmica aumentam não apenas sua eficiência, mas sua capacidade de permanecer relevantes.



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